Domingo, Abril 26, 2009

Até que a morte (ou aquele seu namorado chato) nos separe

Acho que ninguém duvida da existência de uma “química” quando estamos tratando de relações amorosas. É a ausência dela que faz com que você não queira tirar a roupa para aquele cara super legal com quem você tem milhares de afinidades e o papo mais gostoso do mundo, e que também faz você se perguntar, depois do ato consumado, “o que foi que eu vi nesse imbecil?”. Já a existência de uma “química” da amizade é novidade para mim. Na verdade eu nunca tinha pensado muito no assunto até recentemente.

Eu nunca tive muitos amigos e sempre achei que o que me diferenciava das minhas colegas de escola populares era simplesmente um tremendo azar. Durante algum tempo eu fiquei imaginando que talvez eu fosse uma chata. Mais tarde achei mais interessante pensar simplesmente que eu era melhor, mais esperta e mais inteligente que as outras pessoas, e que, por isso, era eu que não conseguia me interessar por elas. Bem, eu não sei se eu sou chata ou especial, mas é verdade que sou tímida e não tenho muito tato com as pessoas. Mesmo com o advento do mundo pós-faculdade e a transformação dos nerds em pessoas interessantes, eu continuo não sendo a mais carismática das pessoas. Quando eu faço “sucesso social”, considero simplesmente que estou em uma fase de boa sorte. Mas amigos mesmo, daqueles que você chama para serem seus padrinhos de casamento, eu quase não tenho – e até hoje realmente não descobri se é porque eu não estou interessada nas pessoas ou se é porque eu não sou interessante.

Convenhamos, a maior parte das pessoas que eu conheço é no mínimo entediante. Podem me acusar de não dar chance ao resto do mundo, eu sei que não dou mesmo, mas mesmo nos casos em que eu sou obrigada a conhecer a pessoa de fato por conta da convivência forçada, a conclusão a que eu chego é quase sempre a mesma: a cada dez pessoas que eu conheço quatro são irremediavelmente burras e impossíveis de suportar, por mais gentis e boazinhas que sejam, e dentre essas quatro, duas provavelmente ainda terão algum outro defeito fatal, como um cheiro estranho ou um problema de dicção. Com duas pessoas você terá agradáveis conversas de 5 minutos que nunca passarão disso, e com outras três você irá morrer de rir e passar horas agradáveis no bar. Essas últimas são aquelas com quem você perderá o contato quando mudar de emprego ou de namorado. E, finalmente, a última: aquela que irá entender aquelas suas piadas que ninguém mais entende, que vai fazer você descobrir coisas novas sobre si mesmo e de quem você irá lembrar na hora de escolher seus padrinhos de casamento. Essa é a pessoa que entra de verdade na sua vida. E olha que essa é uma perspectiva otimista. Talvez você encontre uma pessoa dessas a cada 20, ou a cada 50. Mas enfim, é com esse ser adorável, que vez ou outra você vai querer esganar, que você vai sentir a “química”.

É mais ou menos como um namoro no fim das contas. Não basta a afinidade, porque afinidade você tem com um monte de gente, tem que ter aquele “tchan”. Aquilo que as vezes nem você entende. A diferença é que você pode ter mais de um amigo, porque o resto é tudo igual. Tem ciúmes, tem expectativa, tem traição, a gente sofre com a distância, a gente mete o dedo na ferida...

O lado bom de ficar mais velho é que a gente consegue lidar bem com isso tudo. Eu mesma não me importo de passar o intervalo entre as aulas da minha segunda faculdade sozinha. E confesso que não estou me esforçando mesmo, pois as pessoas em geral me são tão indiferentes que nem passa pela minha cabeça tentar uma aproximação. A gente também começa a dar mais valor aos amigos de verdade e aprende a diferenciá-los dos amigos de bar. E não ficamos mais tristes ao constatar que algumas amizades nunca irão além da mesa, pelo contrário. E também não temos mais que definir um “melhor” amigo, aquele que fica com o primeiro pedaço do bolo. Afinal, cabe gente à beça no altar da igreja. E, para os desinformados, eu estou falando dos padrinhos, não dos noivos – esses eu continuo achando que só podem ser dois, um do meu lado esquerdo e outro do meu lado direito.

P.S. Meus votos de felicidade para minha irmã e meu cunhado que vão se casar daqui a alguns meses e que, entre outras pessoas, inspiraram essas divagações. Os dois com certeza serão meus padrinhos de casamento (algum dia). E assistam “Eu te amo, cara”. É sessão da tarde, mas até a sessão da tarde é válida de vez em quando, e foi a cereja do meu sundae.

Quinta-feira, Janeiro 22, 2009

Duas coisas

Escrevo porque fui incomodado. O texto anterior, apesar de não ser lá muito surpreendente para quem já teve oportunidade de dividir anseios com a autora (rs), me fez pensar numa série de coisas sobre minha própria vida, minhas metas e meus sonhos.
Não sei quantos de vocês concordam, mas eu tenho uma teoria: por mais que definamos os rumos a seguir, tracemos planos e implantemos em nossas vidas planejamentos estratégicos voltados para o fim de ter dois filhos lindos e uma casa na praia, o que define em que beco vamos parar é o bendito acaso. Sim, aquele fato isolado que acontece porque você deixou de planejar uma ínfima parte de seu dia, esse pequenino fato definirá as mudanças nos seus planos, que por sua vez o levarão a um novo momento casual que mudará sua vida.
Eu poderia citar inúmeros exemplos, mas como seriam de minha própria vida - e sendo ela levemente confusa - a teoria não estaria fundamentada. Vamos lá: quantos de vocês conheceram um grande amor numa festa que não queria ir? quantos foram parar num dado lugar por conta da insistência de um amigo e lá descobriram uma oportunidade que mudou sua vida? Quantos optaram pela sociologia (ou pela química orgânica) por terem assistido a uma aula, uma única aula, que deu sentido a todo o conjunto de informações que você ja assimilara durante a trajetória? Todas essas coisas aconteceram comigo e, alimentado pela curiosidade inquietante que incomoda quase todos aqueles que tiveram um contato mais ou menos demorado com as ciências sociais, procurei investigar as vidas alheias. Fiquei surpreso ao saber que meu chefe se tornou engenheiro porque cancelou uma viagem à europa na véspera do embarque, e que meu tio conheceu sua mulher por causa de um pneu furado... para ficar nos exemplos mais emblemáticos.
Isso me faz discordar de Fernanda. Não acho que a pretensão seja suficiente para vencer o poder do acaso. Por exemplo: eu não gosto dos livros de Paulo Coelho. Se o cara que leu o primeiro ensaio de Paulo Coleho e abriu caminho para o lançamento do seu primeiro livro pensasse como eu, nada disso teria acontecido, ele poderia encher o saco ou arrumar um emprego, ou ainda ser aprovado num vestibular para física e descobrir que os estudos sobre a relatividade eram sua verdadeira "vocação". É só para provocar um ponto, posso desenvolver melhor minha linha de raciocínio depois, mas agora quero falar de mais uma coisa.
***
É incrível como a mediocridade tem vencido a genialidade nos tempos atuais. É certo que os gênios, quase sempre, têm sua genialidade reconhecida muito tempo depois de descerem os sete palmos de chão. Porém, como vivo neste tempo, e por isso temo sentir tudo incrivelmente mais absurdo nesse tempo, por ser o único em que viverei, defendo que a vitória da mediocridade têm sido ainda mais contundente.
Eu sou a favor da completa adoração dos gênios. Isto porque eu não sou um gênio, eu reconheço que não o sou, e por isso admito, com relutância, que só é possível levar a vida mais ou menos confortável que tenho hoje porque existiriam e continuam a nascer gênios, grupo do qual não faço parte, o que me leva a pensar que minha existência é um favor. Um favor concedido pelos gênios.
Por pensar assim, me irrita profundamente que pessoas mediocres sejam capazes de destruir a reputação e a obra de gênios. Fico furioso quando vejo, por exemplo, Caetano Velloso tendo de se defender de críticas de um fofoqueiro qualquer que escreve anonimamente numa coluna de jornal. Ou quando vaiam João Gilberto. Até mesmo quando condenam Ronaldo por ter dormido com três travestis.
Deixo aqui meu repúdio à repressão a genialidade. Uma sociedade onde se ridiculariza os gênios, tende ao fim. Existimos graças a benevolência dos gênios, seus infiéis!

Segunda-feira, Dezembro 29, 2008

Paulo Coelho, músicos, sociólogos, espiões americanos e o fato social

Na onda de biografias de um amigo, sua versão pessoal de voyeurismo, e embora eu prefira assistir pessoas ao vivo e a cores, me deparei com Paulo Coelho. Até agora existe um hiato para mim, pois Paulo Coelho tem apenas 17 anos e a certeza de que quer ser um escritor. Famoso. Todos nós sabemos que é isso o que ele de fato se torna, mas no meio tempo ele se torna muitas outras coisas. Lembro-me de assistir a um documentário sobre a vida de Isabel Allende e de ouvi-la dizer que ela só de fato considerou-se uma escritora quando publicou seu segundo livro e quando A Casa dos Espíritos, seu primeiro livro, já era um sucesso incontestável. Foi só então que ela teve coragem de largar o emprego de professora. O sociólogo Howard Becker, em um dos relatos mais interessantes que já li, conta como o que realmente queria de sua vida era ser... músico. Seu hobby não era o piano, mas a faculdade. A questão é que ele veio a ser um sociólogo melhor do que músico e em algum ponto de sua vida teve que decidir, em suas próprias palavras, se queria ser o músico mais instruído da rua de bares onde tocava nos finais de semana ou um sociólogo que gostava de música. Optou pela segunda opção, mas especializou-se nos estudos de carreiras e começou estudando as dos músicos que tocavam com ele na vida noturna de Chicago.

Mais perto de casa, todos nós conhecemos histórias daquele amigo que compunha na época do colégio, escrevia poesias ou participava do grupo de teatro. Mas quantos deles levaram isso adiante? Eu me lembro de ouvir colegas de escola dizendo que sonhavam em ser dentistas, médicos e advogados, e ficava em dúvida se eles não tinham sonhos ou se tinham uma imensa sorte de sonharem sonhos que me pareciam muito mais possíveis do que viver de escrever. É bem verdade que, enquanto esses colegas se dedicaram ao caminho óbvio para atingir o que queriam, ou seja, passar no vestibular e terminar a faculdade, eu não me dediquei ao caminho óbvio para o meu sonho: escrever.

No meu baú secreto, as últimas tentativas de poesia estilo “batatinha quando nasce” e prosa impaciente datam de 2003, coincidentemente, o ano em que entrei na faculdade de Ciências Sociais. As desculpas para tal variam entre falta de tempo, de inspiração... Os livros que fui obrigada a ler durante o curso são injustamente acusados de grandes vilões, pois tomavam todo o tempo que eu gostaria de gastar lendo romances.

Fico me questionando então qual seria a diferença entre um ex-namorado que sonhava em ser maestro e que acabou virando espião da Força Aérea americana e um Paulo Coelho pretensioso e obcecado. A história do ex sempre me pareceu estapafúrdia, mas alguém que leu a obra de Becker diria que ele foi infeliz? E será que o ex realmente sonhava em ser maestro? E é claro que Becker amava seu piano, mas será que ele via a perspectiva de passar o resto da vida tocando como algo encorajador?

Às vezes, como no caso de Becker, parece que ele nunca planejou nada. As coisas foram acontecendo. No caso de Paulo Coelho, talvez porque a biografia que estou lendo se chame “O Mago”, existe uma idéia de destino. Ele sempre soube que o que queria era ser escritor e enquanto não atingiu essa meta, não se sentiu satisfeito. Evidentemente que ninguém pode dizer que, ao escolher uma faculdade de sociologia, por mais que isso não lhe parecesse importante à época, Becker não estava escolhendo seu destino. Se a música fosse a única e absoluta meta, não haveria porque se desviar do caminho. Fico me perguntando então se nós que não cumprimos nossos destinos de infância fomos vítimas do azar, da nossa falta de fé e persistência ou se, afinal de contas, não há nenhum destino ou vocação a ser seguida.

Entre as nossas metas também estão não morrer de fome, atender às demandas da sociedade, comprar uma casa de praia, ter um plano de aposentadoria privada, jantar fora duas vezes por semana e conhecer os Lençóis Maranhenses. Elas também incluem encontrar o príncipe ou princesa encantada e ter dois filhos lindos que sempre saberão o que querem e que serão um sucesso absoluto em qualquer coisa. Essas são metas e, perto delas, coisas como ganhar o Oscar de melhor roteiro original ou entrar para a Academia Brasileira de Letras se tornam sonhos. Viver de escrever pode até parecer alguma coisa plausível para alguns, mas não para alguém que não conhece ninguém que faça isso, como é meu caso. Já casa de praia e dois filhos, um monte de gente tem.

A diferença entre o ex-namorado espião e Paulo Coelho aos 17 anos torna-se então gritante: a pretensão (ou convicção, como preferirem). Contra todas as possibilidades, escrever não era simplesmente um sonho, era uma meta. E mais ainda, a meta não era simplesmente escrever, era se tornar um grande escritor. Becker atingiu sua meta de ser músico, mas será que algum dia ser um grande músico foi mais que um sonho para ele? De qualquer forma sua desistência musical o tornou um grande sociólogo ou, na minha opinião, um dos grandes sociólogos.

Eu fico aqui imaginando onde é que eu estarei aos 60 anos, quando aos 24 eu tenho certeza de que não quero ser socióloga, um medo imenso de ser uma péssima escritora, uma matrícula para um curso de direito que começa daqui a um mês e esse sino martelando em meus ouvidos que esse não é o caminho que eu deveria estar seguindo. É que deixar o trompete pelo piano ou a sociologia pelo direito é tão mais aceitável que abandonar o curso de engenharia pelo violão. E não tem ninguém lá fora dizendo isso não. Somos nós mesmos. O fato social em sua melhor expressão.

Sexta-feira, Dezembro 14, 2007

Coisas

De cabeça, sem abrir a porta do armário para olhar, eu posso dizer todas as coisas que eu tenho. São nove vestidos, eu contei. Uma enorme coleção de camisetas, 30, da época em que eu as usava. Ainda adoro pijamas. 99% de chance de que, se eu estiver em casa, a qualquer hora do dia, estarei usando pijamas. Mas já não compro nenhum há alguns meses. Tenho uma caixa de cartas das quais eu nunca me desfiz e que incluem bilhetinhos trocados em sala de aula há 08 anos atrás. Guardo a agulha com a qual furei meu piercing no umbigo ainda no colégio (guardo?).

Descobri que não posso ter muitas coisas, pois acabo sempre usando as mesmas. O vestido azul de borboletas e o brinco de palhinha são dois bons exemplos, mas até que tenho feito um bom trabalho em aposentá-los. Este semestre resolvi me livrar das caixinhas de lente de contato, uma para cada visita a oftalmologista. Ao longo de oito anos juntei mais do que eu jamais iria usar. Até que tentei manter uma de cada cor, mas no final das contas acabei ficando mesmo com as velhas companheiras, aquelas branquinhas que vieram com os vidros de Renu. Os cigarros, dei para esconder de mim mesma, mesmo agora que todo mundo já sabe que eu fumo (sim, eu fumo, admito). Algumas coisas me arrependi de não ter guardado, como uma das provas de Formação da Sociedade Brasileira, ou o anel que foi alvo de disputa entre eu e meu primeiro grande amor.

A gente acaba sempre guardando o mesmo tipo de coisa, como as pessoas, e a gente as guarda mesmo muito tempo depois de não precisar mais delas.

Gosto de coisas para guardar coisas. Descobri que as canecas das cidades que visitei acabam servindo para isso. Uma delas, que já tinha sido remendada por um amigo, joguei no chão esses dias. Ela quebrou em muitos lugares, mas onde a cola Super Bond pegou, ela ficou. Guardei os cacos para me lembrar de alguma coisa que ainda não sei bem o que é.

Hoje em dia é fácil receber notícias por um grupo de emails e ao mesmo tempo não ter para quem ligar quando acontece algo de bom ou algo de ruim. São sempre aquelas mesmas duas caixinhas brancas que vieram com o Renu. Passa um monte de gente, mas no final ficam sempre aqueles mesmos velhos pijamas rasgados na gaveta. Aqueles que a gente tem que quase arrancar do corpo de vez em quando para jogar na máquina de lavar.

Conheci muita gente nesses últimos tempos, mas quase todo mundo foi para a sacola de coisas para o porteiro. As amigas de infância viraram amigas de outras pessoas. Algumas pessoas fizeram de tudo, mas mesmo assim a gente deixou elas partirem. Com alguns amigos não se canta mais música sertaneja. Vieram namorados, empregos, mestrados, planos... E eu acabo sempre ligando para as mesmas pessoas. A gente acaba tendo muitas roupas de festa e poucos pijamas. Às vezes isso me deixa triste, às vezes me faz bem. Eu gosto de pijamas.

Quando chega o fim do ano, dá vontade de jogar tudo fora e começar de novo, quando o ano foi ruim, ou de erguer um altar para cada ingresso de cinema e papel de bala, quando o ano foi bom. Faz parte. Desejo pijamas de festa a todos que passarem por aqui.

Quinta-feira, Novembro 08, 2007

Entre o mercado e a crítica

Serei acusado de plágio. Mas a situação pede que eu o faça, da forma mais descarada possível. O título acima foi ouvido por este que vos escreve pela primeira vez na última quinta. Na segunda,ajudou-me a compreender o maior fenômeno sociológico do meu dia.Todas as segundas e quartas tenho passado por um curso intensivo de doutrinação marxista rasteira. Nada mais natural que isso seja obrigatório, condição sine equa non para que eu consiga minha suada licenciatura, e possa garantir, pelo menos, o salario de fome de um professor. "marximo rasteiro" e "obrigatório" ficam bem juntos, não acham? Eu também.
Na sessão tortura desta segunda, fui surpeendido por uma bronca. Nossa professora-lider revolucionária, indignada, disse-nos em alto e bom som que éramos todos uns alienados por não estarmos por dentro do "protesto", não sermos contra o Reuni, não ocuparmos a reitoria e não estarmos dispostos a pegar em fuzis e mudar o mundo...Muito previsível, posto que é comum que os líderes da "revolução" expliquem o posicionamento diferenciado - qualquer que seja ele - como alienação, simples assim.O que me incomodou a ponto de me fazer superar a preguiça numa segunda-feira, pegar caderno e caneta e começar a escrever esse texto durante o próprio fenômeno foi a reação minha e de meus colegas.
Nossa líder exaltava o movimento estudantil de sua época, a ditadura, Che, Zapata, Rita Lee, entre outros, e absolutamente ninguém se empolgava. Ela, oradora experiente, partiu pro ataque: constrangeu cada individuo a dizer porque diabos não estava "na luta". As respostas? absolutamente homogêneas, do tipo: "acho importante, mas não quero, não posso, não acredito no movimento estudantil organizado em prol da revolução". Claro que quase nenhuma foi assim tão elaborada. Resolvi sair do meu marasmo e explicar o que sentia à minha desiludida interlocutora: "er... assim...eu acho que o Reuni tem coisas boas e ruins... Mas os estudantes não aceitam mais que decidam por eles se as coisas são boas ou ruins, há uma mudança de concepção, e isso gera acomodação...". Fui interrompido. Absurdo, completo absurdo. Ela concordava. A sociedade individualista impedia as ações coletivas. Ah, que monstro esse capitalismo...
Eu sei que você, leitor, entendeu que o que eu quis dizer não foi nada disso. E digo até que ela também entendeu. Mas a "crítica", nesta forma míope, sobrevive por reproduzir seu discurso contra o mercado, e pelo apoio que este mesmo lhe dá, numa contradição interessante. Explico. Segundo a monografia de um amigo meu, os jovens de hoje estão entre o mercado e a "crítica". Talvez eu esteja sendo infiel à formulação original ao entender a "crítica" como as velhas formas de manifestação coletiva, apoiadas no paradigma das classes sociais, característica do século passado, entre elas o movimento estudantil. Como esta "crítica" não contempla mais esse universo de demandas múltiplas, os jovens se afundam no mercado, e deixam para heróis voluntariosos e, digamos, limitados intelectualmente, eternizarem os símbolos revolucionários e ocuparem reitorias. Assim o jovem se livra do peso de criticar, e os heróis podem criticar o mercado e o FMI sem serem indagados (e ouvidos).Como eu cheguei a essa conclusão? Explico, também.
Após notar que a professora transformara completamente a minha fala, eu me indignei. Quis mostrar que o mundo mudou; que os jovens de hoje não se sentem representados pelas organizações estudantis; que a política institucional tem sido objeto de piadas, e somente delas, para os jovens; que eles resiginificam seus interesses em outros meios e canais, dentre os bilhares que surgiram desde o tempo dela, enfim, eu tinha um mundo pra falar. Mas tinha um joguinho legal no meu celular, tão colorido, divertido, empolgante, que eu deixei ela falando lá e fui jogar. Sim, eu fiquei com o mercado. Mas não sou contra a crítica não. Sigam criticando que eu apoio daqui, da frente do meu PC...

Sexta-feira, Abril 20, 2007

Questões de método, teoria e prática...

Caros amigos, depois de muito tempo sem escrever no blog, me vejo tomado por uma inspiração de novamente fazê-lo. E não é uma inspiração qualquer. Depois do meu 8º semestre no curso de Ciências Sociais, acho que compreendi ou estou no caminho de compreender o que é, de fato, esta tão polêmica Estrutura Social. Sempre tive muitas dúvidas a seu respeito. A estrutura social são as normas gerais de condutas, a moral e toda aquelas regras tácitas e explícitas; são a cultura e os hábitos, costumes e a organização simbólica; ou são as posições que cada indivíduo ou grupo social ocupa na sociedade, a exemplo da divisão social do trabalho ou da estrutura de classes? Penso ter desenvolvido um pequeno esquema que resume o que seria a Estrutura Social incluindo essas noções e mais algumas outras.

Esse esquema foi desenvolvido na aula de Antropologia Simbólica, ministrada por Tromboni, e a partir dos insights que a mesma e o mesmo vêm me proporcionando. Claro está que, como qualquer esquema, este também é arbitrário e pode conter defeitos de realidade, por assim dizer, ou de inteligibilidade. De fato, acho que ele peca pela simplicidade – o que também pode ser uma qualidade – e pela tentativa de ser pedagógico, admito que para mim mesmo essa necessidade. De qualquer forma, acredito que a partir do esquema podemos compreender melhor que é Antropologia, Sociologia e Ciência Política, bem como tornar mais claro o que é o método estruturalista e a hermenêutica. Como ele contém setas e componentes gráficos, fiz um desenho um tanto quanto simplório, mas que me parece suficiente para os objetivos desta postagem. Quero deixar claro, entretanto, que a ordem do esquema poderia ter sido alterada e colada de baixo para cima. Todavia, assim o fiz, pensando em axiomas básicos que tornam possível a existência da próxima etapa, embora saiba que um momento não existe sem o outro e que estão todos em relações constantes. Pois bem, segue o famoso e, a partir de agora, me permitam ser um pouco mais formal e escrever na 2º pessoa do plural.



O primeiro elemento é a “estrutura básica da unidade psíquica do homem”. Pensamos que este elemento se mostra fundamental na constituição da estrutura social, uma vez que ele faz parte do aparelho biológico do homem e do qual todas as emanações de elementos simbólicos e organizadores podem aparecer. É desta tal unidade que compreendemos que todos os homens são iguais em potencial, a despeito de sua cultura, grupo ou etnia.

O segundo elemento é a estrutura de relações lógicas. Esta estrutura mantém com a primeira uma relação inata. Isso quer dizer que ainda estamos em um momento de mediação biológica da estrutura social. Entretanto, o que diferencia a “estrutura de relações lógicas” da unidade psíquica do homem é o grau de sofisticação e realização daquela. Enquanto que a primeira do esquema de configura em um elemento que proporciona, por assim dizer, uma potencialidade a todos os homens, a segunda se configura como a realização primeira deste potencial. Ainda estamos no âmbito do aparelho biológico e isso significa que todos os homens têm um inconsciente regido por operações lógicas comuns.

Em terceiro lugar, emerge a estrutura simbólica, i.e, a cultura. As definições de cultura são muitas, mas o importante é compreender que a cultura é um sistema simbólico, de relações entre elementos objetivos e subjetivos, significantes e significados, tendo, entretanto, estes últimos uma dinâmica própria, não passível de definição clara, dos quais emergem uma gama de relações, interpretações, significações e re-significações individuais, grupais, societais. A cultura mantém com a estrutura de relações lógicas uma relação inconsciente, na medida em que ela se organiza a partir de operações lógicas comuns entre todos os homens, mas é essa organização que se diferencia de um grupo para o outro, enfim, de uma cultura para outra. É o arranjo que define culturas diferentes, entretanto, as operações lógicas que subjazem essas operações são as mesmas. Podemos dizer que a relação entre essas duas dimensões se dá no nível inconsciente porque não há dialogo racional e consciente na relação das operações lógicas com o emergir de uma cultura.

Continuando, cada cultura, dependentemente do seu arranjo, constitui uma outra estrutura, a saber, a estrutura de posições ou papéis sociais. Essa estrutura é aquela que representa as posições que cada indivíduo, grupo, nação ou quaisquer outras categorias analíticas ocupam nas relações sociais. Podemos observar que essa estrutura de posições pode ser caracterizada a partir de uma série de fenômenos. Classicamente, foram abordadas as estruturas de classe e a divisão social do trabalho. Todavia, podemos dividir a estrutura em várias posições, pobres e ricos, negros e brancos, homens e mulheres, heterossexuais e homossexuais, professores e alunos, etc. A depender do estudo que se possa fazer, a estrutura de posições sociais pode ser caracterizada de diversos modos diferentes e de acordo com os mais variados objetivos. Entretanto, acreditamos que a estrutura de classe a divisão social do trabalho continuam sendo as estruturas de posições e papéis mais utilizados nas Ciências Sociais. A partir desta estrutura, passamos a ter relações dialógicas entre as estruturas precedentes e as atuais, por assim dizer. Isso quer dizer que essas relações não são mecânicas, ou seja, dependem de elementos simbólicos, da racionalidade do homem, do seu interesse e da forma como ele significa e re-significa a realidade social, os papéis sociais e cosmologia que guia – e guiar não quer dizer determinar – as suas experiências.

Por fim, incluímos aqui a ação social. Esquecida pelos estruturalistas e idealizada talvez pela hermenêutica, consideramos a ação social como parte fundamental da Estrutura Social. Sem ela, não poderia haver elementos que dessem vida a qualquer das estruturas. Ação Social, onde há espontaneidade, onde há criatividade, onde há racionalidade, mas também onde há elementos arraigados, coerções, elementos morais. A ação não é determinada por nenhuma das outras estruturas, mas também não pode existir sem que as estruturas existam. Se as normas não conseguem abarcar todas as experiências cotidianas vividas pelos atores sociais, a Ação Social também não pode ocorrer sem nenhuma fundamentação com a qual possa dialogar. A Ação Social não apenas dialoga com a estrutura de posições, mas também com a estrutura simbólica. É a partir dela que se constroem as duas estruturas e a partir das duas estruturas que se constrói a Ação Social. São produção e reprodução da vida social. São elementos unos, que não pode ser separáveis a não ser do ponto de vista pedagógico. A Ação Social mantém com as outras estruturas a relação dialógica por excelência, exercendo toda a potencialidade reflexiva do ser humano.

Dissemos-lhes, anteriormente, que a partir deste esquema, seria possível compreender melhor o que é a Sociologia, a Antropologia e a Ciência Política. Acreditamos que podemos, pelo menos, clarear essas diferenças, mas não do que é cada ciência, mas sim do que tem sido. Essa explicitação pode ser bastante controversa na medida em que cada ciência mantém abordagens diferentes dentro do seu escopo, a depender, principalmente, do referencial teórico-metodológico, ou seja, do prisma com o qual a realidade vai ser lida. Não podemos, entretanto, confundir objeto com método, mas, grosso modo, acreditamos que o objeto pode ser descrito pela importância de cada dimensão do esquema para cada ciência e o método pela relação escolhida para abordar estas dimensões. De qualquer forma, estaremos lidando com as definições clássicas e simples, por vezes simplórias, de cada uma destas ciências, apenas com o intuito de situar suas diferenças.

Pois bem, de uma maneira geral, acreditamos que a Antropologia talvez seja, das três, a ciência mais completa e mais ampla. A antropologia parece abordar as cinco dimensões da Estrutura Social. Na verdade, acreditamos que a Antropologia, a despeito de suas grandes pretensões, acaba por enfocar mais as estruturas de relações lógicas e as estruturas simbólicas. Estamos falando de Antropologia e não de Etnologia. Entendemos Antropologia como a Ciência que estuda o homem, principalmente através de sua estrutura simbólica, ou seja, a cultura. A Etnologia talvez se mantivesse, preferencialmente, dentro da relação entre as estruturas simbólicas, de posições e a ação social. A Antropologia estrutural e a hermenêutica se diferenciam pela relação que vão privilegiar dentro destas estruturas preferenciais. Podemos dizer, grosso modo, que a Antropologia estrutural, definitivamente, estuda a estrutura de relações lógicas e o sistema simbólico, compreendo a ação social como confirmador dessas operações, leis e formas e enfocando a relação inconsciente que esta tem com a cultura e estas operações. A Antropologia hermenêutica se foca mais nas relações dialógicas que se estabelecem entre a ação social, a estrutura de posições (sem aprofundar demasiadamente) e a estrutura simbólica. Não confundamos, porém, Antropologia Hermenêutica e Etnologia. A Etnologia parece tratar-se mais de um momento de campo, mais específico e a Antropologia Hermenêutica, mesmo se baseando nas mesmas relações, pretende, de alguma forma, compreender o homem na sua totalidade, dentro de relações sociais totais, o que não significa dizer coercitivas e sem espontaneidade ou liberdade.

Quanto à Sociologia, a compreendemos, a princípio, como a definição clássica da relação entre indivíduo e sociedade. Isso nos remete, no nosso esquema, a ação social e a estrutura de posições. Acreditamos que a Sociologia tem sido, por excelência, a Ciência que estuda esta estrutura de posições em relação com a ação social. Dependendo do método escolhido, poder-se-ia focar mais na estrutura de posições (análises estruturais que deram origem a MacroSociologia), como é o caso do Marxismo, das obras de Durkheim e seus seguidores, do Funcionalismo, o Estrutural-Marxismo entre outras correntes. Ou poder-se-ia focar a Ação Social e todo o mecanismo individual e interacional que tornam possível a vivência cotidiana dentro de uma sociedade, como é o caso da Escola de Chicago, Fenomenologia, Etno-Metodologia, entre outras escolas (análises hermenêuticas, compreensivas ou interpretativistas que deram origem a MicroSociologia).

Por fim, acreditamos que a Ciência Política, definitivamente, pretende estudar a Estrutura de Posições e sua relação com a Ação Social de uma ótica específica. Compreendendo Ciência Política como a Ciência que estuda as relações de poder, principalmente dentro do âmbito do Estado e das Instituições Políticas consensuais de uma sociedade, fica claro que seu objeto de estudo se situa dentro da Estrutura de Posições, focando as posições decorrentes de poder instituído e tido como legítimo, pelo menos por uma grande parte dos atores, e privilegiando sua relação com uma a Ação Política. Em termos de método, salvo engano, acreditamos que a Ciência Política não venha trabalhando muito com a hermenêutica. Acreditamos que a análise estrutural da organização do Estado e das instituições prevaleça nesta Ciência até pelos motivos óbvios de que as Estruturas Políticas são as mais coercitivas e com as quais é mais difícil de dialogar. Isso não significa que não haja diálogo ou que o ator político seja determinado por estas estruturas. Por isso, a hermenêutica talvez possa ser usada, da mesma forma que na Sociologia, para estudar a relação entre a Ação Política e as estruturas institucionalizadas.

De uma maneira geral, definimos o método estrutural como aquele que se foca nas estruturas de relações lógicas, no sistema simbólico (apreendendo este como um sistema realmente) e nas estruturas de posições, argumentando que ele procura compreender a Ação Social a partir das estruturas subjacentes e inconscientes que guiam toda e qualquer espécie de experiência cotidiana. Definimos, também, hermenêutica como aquele método que pretende compreender a Ação Social, estudando os sujeitos sociais, suas motivações, sua subjetividade, as relações que travam com os outros sujeitos sociais nas suas experiência cotidianas e procurando compreender como é deste nível de relações que a sociedade e a estrutura emerge. Na nossa concepção, temos dois métodos importantes, mas que têm sido equivocadamente utilizados nas Ciências Sociais. O estruturalista ruim é aquele que leva em conta a Ação como mera repetição de normas gerais e a interpretação hermenêutica equivocada é aquela em que a subjetividade e o ator social são demasiadamente idealizados como se fosse possível viver sem qualquer tipo de orientação moral, cultural ou de papel social. Acreditamos que o verdadeiro método das Ciências Sociais é aquele da síntese.

Estamos em momento de síntese, não há mais lógica para que contradições continuem a ser perpetuadas apenas como forma de aumentar os privilégios políticos de cada grupo. A BOA Ciência Social é aquela que compreende que há, sim, estruturas anteriores, cristalizadas, por vezes, institucionalizadas e que qualquer ator social se vê as voltas com ela em todas as ações que impetra. Entretanto, essas regras são por demais gerais para normatizar todas as esferas da experiência cotidiana (Como diria este blog). O sujeito tem criatividade, tem liberdade, tem espontaneidade, tem relações e interpretações corpóreas, significa e re-significa, produz e reproduz a realidade que conformam, por excelência, a vivência deste ator no mundo. É o tão famoso Mundo da Vida. Não há quaisquer estruturas sem Mundo da Vida e não há Mundo da Vida sem quais orientações prévias.

Enfim, meus caros (agora falo em primeira pessoa), coloquei à análise de vocês esses insights. De fato, esta postagem tem por objetivo que minhas idéias passem pelo seus crivos. Elas ainda estão em maturação e, como melhor forma de objetivar idéias, decidi escrever para ver quais seriam as críticas e sugestões. Por favor, não temam em fazê-las. Acho que esta discussão, por demais teórico-metodológica para alguns, é importante para nossa formação.

Quinta-feira, Abril 12, 2007

Memórias de uma puta expatriada

Estava aqui lendo os posts antigos, já que ninguém escreve nada de novo por aqui e eu não tinha nada melhor para fazer. E como sou a maior voyeur de mim mesma que existe na face da terra, voltei, claro, aos meus próprios posts, e me surpreendi com “A (re)descoberta, do meu corpo, do meu mundo e do meu eu”.

“Ser o próprio corpo é uma experiência inebriante, tem milhares de consequências possíveis - desde o êxtase egocêntrico até a mágoa dos outros - e vicia. Agora preciso saber o que fazer com o resto do mundo pois, ao me bastar, todo o resto perdeu a graça.”

Isso realmente me chocou. Como foi que eu sai do auge da glória para chegar ao fundo do subsolo do porão do fundo do poço? Antes o mundo girava ao meu redor, agora sou eu que estou girando ao redor do mundo.

Hoje eu descobri que, de fato, tudo é muito relativo. Em Salvador, BA, eu era a criatura mais linda, interessante e inteligente que alguém podia conhecer. Aqui, em Nashville, TN, eu sou só mais uma branquela que vai de moleton e tênis para o refeitório. Mas peraí. Para tudo. Eu era a criatura mais linda, interessante e inteligente que alguém podia conhecer, ou era o fato de eu acreditar nisso que me dava aquele olhar 43 que o Rafael tão bem conhece, ele que dividiu comigo as maiores excentricidades do meu ego? Ou será que aqui eu sou só mais uma branquela sem graça porque de fato sou branquela e não tenho bunda?

Depois de assistir a um desfile de mulheres deslumbrantes e performáticas eu comecei a me achar bonita. Só que antes eu era deslumbrante. Eu era estonteante. Agora eu sou só bonita. Vá lá, isso pode parecer ridículo, mas é como tirar uma parte de mim que sempre esteve lá. E como acordar um dia e descobrir que sou chinesa. Tudo perde o sentido. Então, se eu não sou a última bolacha do pacotinho, como é que eu vou encarar as pessoas até o ponto de elas fazerem o que eu quero? E quando eu voltar para o Brasil, será que eu vou voltar a ser a criatura mais desejável que alguém pode conhecer ou vou cair na real de fato e decobrir que sou só normal?

A culpa não é minha. Todo mundo que eu conheço adora encher a minha bola, a ponto de eu ficar insuportável. E ser insuportável também é uma maneira de ser mais rata, daí meus amigos igualmente ratos enchem minha bola mais ainda e a coisa não para nunca.

Frente à minha crise existencial, a sugestão de uma amiga americana: prender meu cabelo, passar rímel, colocar uns brincos bem grandes, um short bem curto e um salto bem alto. Pronto, isso vai resolver meus problemas. Mas que desgraça de país é esse em que estou?! Por que é que alguém não pode ler “Memórias de minhas putas tristes” numa cama de motel pra mim? Por que é que alguém não pode olhar para mim e ver algo que ninguém mais vê? Por que é que eu não posso viajar na maionese e fazer da minha vida um filme, como eu sempre fiz? Um filme meloso, é claro. Afinal, será que isso é mais um dos meus problemas mentais ou mais um pouco de blues antropológico? Será que Gabriel Garcia Marquez e camas de motel só se cruzam no meu mundo? E estará meu mundo no Brasil ou só na minha cabeça?

Os States estão acabando com meu romantismo. Tudo virou uma questão de bunda e brincos. E eu achava que o Brasil era o país do Carnaval...